Acontecerá o quê?
Talvez não vá acontecer nada e tudo permanecerá assim como até então.
Por vezes há algo que não nos deixa caminhar, como se os nossos pés estivessem presos no asfalto porque o alcatrão derreteu num dia de muito sol e calor, e só queremos uma sombra.
Quão livres somos? Quando somos?
Somos quando motivados e certos de uma coisa maior que nós, que não sabemos onde mora e nos impele, entusiasma e assusta.
Medo? Sentimos paradoxalmente, medo e incerteza. Maior ainda quando não o sentimos sozinhos. Questionámos, mas e então de que vale esse medo quando tudo é certeza?!
Vale imenso. Sozinhos e amedrontados não conseguimos fazer muito.
Então, não fazemos nada, não dizemos nada, não decidimos e seguimos ao sabor do vento.
Não, não é um discurso de ruptura tão pouco de desesperança é, antes, uma honesta convicção de que pouco podemos nestas coisas da vida, dos caminhos, das escolhas...
Ah se pudéssemos transformar tudo à volta no que desejámos!
Porém, sentimos cansaço por não sabermos para que se está a viver, temos preguiça de pensar todo o pensável , contentamo-nos com pequenos fragmentos de ideias, recusando a coerência absoluta.
Por esta razão assumimos uma absurda posição de orgulho.
Na verdade, o que nos impede perceber mais profundamente o que sentimos, o que desejámos, o que aspirámos não são nem o tempo nem a razão nem a inteligência mas apenas e somente a falta de curiosidade. O essencial não é convencer alguém, o essencial é agir mas esta acção deve ser feita como um exercício de amor.
A acção, a escolha, a decisão implicam não raras vezes, uma certa amargura. Não é a acção que está errada somos nós mesmos.
Façamos assim a escolha, a tomada de decisão como uma ascese, e uma ascese por amor. Só assim aquilo que de maior temos se liberta, por dentro.