Thursday, April 20, 2017


A vida,
as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera , o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a  ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com
 as linhas da mão,

a  vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando, essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória,

a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.

Nuno Júdice

Regresso hoje porque preciso.
É como regressar a casa depois de muito tempo longe...
Reparo que regresso tal como da última vez, com um poema de Júdice.



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