Friday, April 25, 2014
Revolução
Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta
Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como a voz do mar
Interior de um Povo
Como a página em branco
Onde o poema emerge
Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua Habitação.
Sophia de Mello Breyner in "O Nome das Coisas"
*O dia de hoje enche-me de esperança e amor!! Tudo me comove, também em alegria...e a Sophia sabia isso, sabia...
Como chão varrido
Como porta aberta
Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como a voz do mar
Interior de um Povo
Como a página em branco
Onde o poema emerge
Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua Habitação.
Sophia de Mello Breyner in "O Nome das Coisas"
*O dia de hoje enche-me de esperança e amor!! Tudo me comove, também em alegria...e a Sophia sabia isso, sabia...
Sunday, April 20, 2014
antes de adormecer
eu queria cantar para dentro de alguém,
sentar-me junto de alguém e estar aí.
eu queria embalar-te e cantar-te mansamente
e acompanhar-te ao despertares e ao adormeceres.
queria ser o único na casa
a saber: a noite estava fria.
e queria escutar dentro e fora
de ti, do mundo, da floresta.
os relógios chamam-se anunciando as horas
e vê-se o fundo o tempo.
e em baixo ainda passa um estranho
e acirra um cão desconhecido.
depois regressa o silêncio.os meus olhos,
muito abertos, pousaram em ti;
e prendem-te docemente e libertam-te
quando algo se move na escuridão.
Rilke ( tradução de Mª João Pereira)
sentar-me junto de alguém e estar aí.
eu queria embalar-te e cantar-te mansamente
e acompanhar-te ao despertares e ao adormeceres.
queria ser o único na casa
a saber: a noite estava fria.
e queria escutar dentro e fora
de ti, do mundo, da floresta.
os relógios chamam-se anunciando as horas
e vê-se o fundo o tempo.
e em baixo ainda passa um estranho
e acirra um cão desconhecido.
depois regressa o silêncio.os meus olhos,
muito abertos, pousaram em ti;
e prendem-te docemente e libertam-te
quando algo se move na escuridão.
Rilke ( tradução de Mª João Pereira)
Tuesday, April 15, 2014
a tua beleza para mim está em existires
Última estrela a desaparecer antes do dia,
Pouso no teu trémulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim;
Alegre pelo critério (?) que tenho em Poder ver-te
Sem "estado de alma" nenhum, sonho ver-te.
A tua beleza para mim está em existires
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.
Alberto Caeiro in "Poemas Inconjuntos"
Pouso no teu trémulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim;
Alegre pelo critério (?) que tenho em Poder ver-te
Sem "estado de alma" nenhum, sonho ver-te.
A tua beleza para mim está em existires
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.
Alberto Caeiro in "Poemas Inconjuntos"
Saturday, April 12, 2014
do sentimento trágico da vida
Não há revolta no homem
que se revolta calçado.
O que nele se revolta
é apenas um bocado
que dentro fica agarrado
à tábua da teoria.
Aquilo que nele mente
e parte em filosofia
é porventura a semente
do fruto que nele nasce
e a sede não lhe alivia.
Revolta é ter-se nascido
sem descobrir o sentido
do que nos há-de matar.
Rebeldia é o que põe
na nossa mão um punhal
para vibrar naquela morte
que nos mata devagar.
E só depois de informado
só depois de esclarecido.
rebelde nu e deitado
ironia de saber
o que só então se sabe
e não se pode contar.
Natália Correia
que se revolta calçado.
O que nele se revolta
é apenas um bocado
que dentro fica agarrado
à tábua da teoria.
Aquilo que nele mente
e parte em filosofia
é porventura a semente
do fruto que nele nasce
e a sede não lhe alivia.
Revolta é ter-se nascido
sem descobrir o sentido
do que nos há-de matar.
Rebeldia é o que põe
na nossa mão um punhal
para vibrar naquela morte
que nos mata devagar.
E só depois de informado
só depois de esclarecido.
rebelde nu e deitado
ironia de saber
o que só então se sabe
e não se pode contar.
Natália Correia
Thursday, April 10, 2014
Para os lábios que o Homem faz
Para os lábios
que o homem faz
que atraem beijos
ao redor do mundo
ficou na nossa memória
em qualquer parte a qualquer hora
um pedaço
de pão
Promessa
que se cumpre
que alimenta o mundo
Olhos
a exigir
uma floresta.
Mário Cesariny in "Pena Capital"
que o homem faz
que atraem beijos
ao redor do mundo
ficou na nossa memória
em qualquer parte a qualquer hora
um pedaço
de pão
Promessa
que se cumpre
que alimenta o mundo
Olhos
a exigir
uma floresta.
Mário Cesariny in "Pena Capital"
Anna Fisher
Gorgeous!!
Tuesday, April 1, 2014
o amor, meu amor
Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me no teu leito
quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
quando ansiava ser um sonho teu.
Mia Couto in " idades cidades divindades"
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