Monday, January 27, 2014

I can dream about you


Tonight is what it means to be young

Confesso ter uma paixão assolapada pelo Michael Paré, quase como a que tenho pelo Michael Pitt ou o David Guilmour!É o que faz ver "Streets of fire" em plenos anos 90, com seis anos umas mil vezes até aos dez!!

Friday, January 24, 2014

Thursday, January 23, 2014

a tua ausência encosta-me a um muro derrubado.

José Carlos Sousa [Villar] in Entre tantos


*Cantei em 2003 no lançamento deste livro. Por inércia nunca o tinha lido!Creio que quis adiar esse momento.Passados 10 anos, precisamente, peguei nele.Li cada silaba, cada palavra, cada verso...numa noite destas, antes de adormecer.Encontrei este poema.Pronto!

Saudades do Brasil em Portugal por Carminho

Um dia Vinicius de Moraes compôs um Fado para a Amália. Este!!
Feito com Amor, segundo ele.E não há dúvidas.
Dói de tão soberbo!!

Wednesday, January 22, 2014

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...

Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dôr de ser-quási, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos d'alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ansias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indicios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sôbre os precipícios...

Num impeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

Um pouco mais de sol - e fôra brasa,
Um pouco mais de azul - e fôra além.
Para atingir, faltou-me um golpe de aza...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'

Sunday, January 19, 2014

lady, if you want to find a lover


De amor nada mais resta que um Outubro

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto.

Natália Correia in Poesia Completa

Saturday, January 18, 2014

Os 2 no polibãn

 Uma forma de amor.O B. deixa-me sempre arrebatada!!

morrer de amor

Morrer de amor
ao pé da tua boca.

Maria Teresa Horta in Destino

Friday, January 17, 2014

:: Why didn´t you save me ::


Gente à procura de Gente

uma certa quantidade



Uma certa quantidade de gente à procura

de gente à procura duma certa quantidade



Soma:

uma paisagem extremamente à procura

o problema da luz (adrede ligado ao problema da vergonha)

e o problema do quarto-atelier-avião



Entretanto

e justamente quando

já não eram precisos

apareceram os poetas à procura

e a querer multiplicar tudo por dez

má raça que eles têm

ou muito inteligentes ou muito estúpidos

pois uma e outra coisa eles são

Jesus Aristóteles Platão

abrem o mapa:

dói aqui

dói acolá



E resulta que também estes andavam à procura

duma certa quantidade de gente

que saía à procura mas por outras bandas

bandas que por seu turno também procuravam imenso

um jeito certo de andar à procura deles

visto todos buscarem quem andasse

incautamente por ali a procurar



Que susto se de repente alguém a sério encontrasse

que certo se esse alguém fosse um adolescente

como se é uma nuvem um atelier um astro



Mário Cesariny





Wednesday, January 15, 2014

A dor de todas as ruas vazias

deus tem que ser substituído rapidamente por poe-

mas, sílabas sibilantes, lâmpadas acesas, corpos palpáveis,

vivos e limpos.



a dor de todas as ruas vazias.



sinto-me capaz de caminhar na língua aguçada deste

silêncio. e na sua simplicidade, na sua clareza, no seu abis-

mo.

sinto-me capaz de acabar com esse vácuo, e de aca-

bar comigo mesmo.



a dor de todas as ruas vazias.



mas gosto da noite e do riso de cinzas. gosto do

deserto, e do acaso da vida. gosto dos enganos, da sorte e

dos encontros inesperados.

pernoito quase sempre no lado sagrado do meu cora-

ção, ou onde o medo tem a precaridade doutro corpo.



a dor de todas as ruas vazias.



pois bem, mário - o paraíso sabe-se que chega a lis-

boa na fragata do alfeite. basta pôr uma lua nervosa no

cimo do mastro, e mandar arrear o velame.



é isto que é preciso dizer: daqui ninguém sai sem

cadastro.



a dor de todas as ruas vazias.



sujo os olhos com sangue. chove torrencialmente. o

filme acabou. não nos conheceremos nunca.



a dor de todas as ruas vazias.



os poemas adormeceram no desassossego da idade.

fulguram na perturbação de um tempo cada dia mais

curto. e, por vezes, ouço-os no transe da noite. assolam-me

as imagens, rasgam-me as metáforas insidiosas, porcas. ..e

nada escrevo.

o regresso à escrita terminou. a vida toda fodida - e

a alma esburacada por uma agonia tamanho deste mar.



a dor de todas as ruas vazias.







Al-Berto

Horto de Incêndio

Monday, January 13, 2014

Porque me olhas assim



A mulher dos vinte poemas

Perguntam-me  sempre quem é a mulher dos "Vinte Poemas". É difícil responder. As duas ou três que se entrelaçam nesta melancólica e ardente poesia  correspondem, digamos, a Marisol e Marisombra. Marisol é o idílio da província encantada, com imensas estrelas nocturnas e olhos escuros como o céu molhado de Temuco. É ela que figura, com a sua alegria e a sua vivaz beleza, em quase todas as páginas, rodeada pelas águas do porto e pela meia-lua sobre as montanhas. Marisombra é a estudante da capital. Boina parda, olhos dulcíssimos, o constante aroma a madressilva do errante amor estudantil, o sossego físico dos apaixonados encontros nos esconderijos da urbe.

Pablo Neruda in "Confesso que vivi"

Saturday, January 11, 2014

Thursday, January 9, 2014

Em Serralves também há Fado





Um Amor

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.

Nuno Júdice, in "A Partilha dos Mitos"


*Decidi regressar neste ano de 2014, com um poema de Amor.