As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
Eugénio de Andrade
*poesia numa tarde de Dezembro...
Sunday, December 11, 2011
Friday, November 18, 2011
Saturday, November 12, 2011
Friday, October 21, 2011
Saturday, October 15, 2011
Saturday, September 24, 2011
Saturday, September 3, 2011
Monday, August 22, 2011
Sunday, August 21, 2011
Friday, July 29, 2011
Thursday, July 28, 2011
Saturday, July 23, 2011
Thursday, July 21, 2011
As mãos pressentem a leveza rubra do lume
As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar
ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada
Al Berto
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar
ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada
Al Berto
Saturday, July 16, 2011
Friday, July 8, 2011
Amigo
Soneto do amigo
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinícius de Moraes
Thursday, June 23, 2011
Monday, June 20, 2011
Espalhem a notícia
Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher bonita
A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
o ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou
Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
Bonita
Sérgio Godinho in Canto da Boca (1981)
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher bonita
A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
o ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou
Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
Bonita
Sérgio Godinho in Canto da Boca (1981)
Wednesday, June 15, 2011
Friday, June 10, 2011
Wednesday, June 8, 2011
Tuesday, May 31, 2011
Monday, May 30, 2011
Manuel Cruz - Canção da Canção Triste
"O amor dá-me tesão/Não fui eu que estraguei"
*Uma canção de amor...
E ao anoitecer
E ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a dificil arte da melancolia.
Al Berto
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a dificil arte da melancolia.
Al Berto
Tuesday, May 17, 2011
Thursday, May 12, 2011
Friday, May 6, 2011
Friday, April 29, 2011
Friday, April 15, 2011
Os Golpes - O renascimento do "roquepope" dos 80as
A música portuguesa está a conhecer um bom momento.Na verdade são as conjunturas politico-sociais mais devastadoras que alimentam o espírito da criação artística,tenho dito!Depois de Deolinda,Oquestrada,Virgem Suta ora eis que dou de fronte com Os Golpes.Estava um lindo final de tarde solarengo quando os ouvi pela 2ª vez na rádio,valeu pena...não sabia quem eram,de onde vinham para que vinham e o que pretendiam...ahhh mas gostei daquela sonoridade a fazer recordar as músicas dos bailaricos provincianos de verão;) apeteceu-me dançar...
Aquele ritmo tão português,apesar de não ter uma letra brilhante(refiro-me ao tema "Vá lá senhora") ganha precisamente pela simplicidade e pela participação de Rui Pregal da Cunha dos meus tão adorados Heróis do Mar.Aquela voz não era estranha de todo,mas só depois de pesquisar percebi de quem se tratava....fiquei radiante!Acho que vou tentar uma interpretação do "Vá la senhora",versão Fado;)que tal!?
Por agora vou continuar a explorar os ditos cujos e logo logo trarei boas novas...
Inté
Aquele ritmo tão português,apesar de não ter uma letra brilhante(refiro-me ao tema "Vá lá senhora") ganha precisamente pela simplicidade e pela participação de Rui Pregal da Cunha dos meus tão adorados Heróis do Mar.Aquela voz não era estranha de todo,mas só depois de pesquisar percebi de quem se tratava....fiquei radiante!Acho que vou tentar uma interpretação do "Vá la senhora",versão Fado;)que tal!?
Por agora vou continuar a explorar os ditos cujos e logo logo trarei boas novas...
Inté
Saturday, April 9, 2011
Ofício de Amar
Já não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no principio de outras
galáxias
e o remorso
Um dia pressenti a música estelar das pedras,
abandonei-me ao silêncio
é lentissimo este amor progredindo com o bater do coração
não,não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas
Ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponivel
perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade do meu próprio corpo.
Al berto
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no principio de outras
galáxias
e o remorso
Um dia pressenti a música estelar das pedras,
abandonei-me ao silêncio
é lentissimo este amor progredindo com o bater do coração
não,não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas
Ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponivel
perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade do meu próprio corpo.
Al berto
Friday, January 7, 2011
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