Sunday, December 11, 2011

As palavras que te envio são interditas

As palavras que te envio são interditas

até, meu amor, pelo halo das searas;

se alguma regressasse, nem já reconhecia

o teu nome nas suas curvas claras.


Dói-me esta água, este ar que se respira,

dói-me esta solidão de pedra escura,

estas mãos nocturnas onde aperto

os meus dias quebrados na cintura.


E a noite cresce apaixonadamente.

Nas suas margens nuas, desoladas,

cada homem tem apenas para dar

um horizonte de cidades bombardeadas.


Eugénio de Andrade
*poesia numa tarde de Dezembro...

Sunday, August 21, 2011

David Gilmour - On An Island


*Há paixões que nunca nos abandonam...e ainda bem!

Friday, July 29, 2011

Thursday, July 21, 2011

Carminho- Escrevi Teu Nome no Vento

As mãos pressentem a leveza rubra do lume

As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar

ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada

Al Berto

Friday, July 8, 2011

Amigo

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

Vinícius de Moraes

oração . a banda mais bonita da cidade

Monday, June 20, 2011

Espalhem a notícia

Espalhem a notícia

do mistério da delícia

desse ventre

espalhem a notícia do que é quente

e se parece

com o que é firme e com o que é vago

esse ventre que eu afago

que eu bebia de um só trago

se pudesse



Divulguem o encanto

o ventre de que canto

que hoje toco

a pele onde à tardinha desemboco

tão cansado

esse ventre vagabundo

que foi rente e foi fecundo

que eu bebia até ao fundo

saciado



Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo de mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher bonita



A terra tremeu ontem

não mais do que anteontem

pressenti-o

o ventre de que falo como um rio

transbordou

e o tremor que anunciava

era fogo e era lava

era a terra que abalava

no que sou



Depois de entre os escombros

ergueram-se dois ombros

num murmúrio

e o sol, como é costume, foi um augúrio

de bonança

sãos e salvos, felizmente

e como o riso vem ao ventre

assim veio de repente

uma criança



Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo de mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher



Falei-vos desse ventre

quem quiser que acrescente

da sua lavra

que a bom entendedor meia palavra

basta, é só

adivinhar o que há mais

os segredos dos locais

que no fundo são iguais

em todos nós



Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo do mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

Bonita

Sérgio Godinho in Canto da Boca (1981)

Friday, June 10, 2011

Monday, May 30, 2011

Meu amor está perto


*Outra canção de amor...:)

Agora que sinto amor

Agora que sinto amor
Tenho interesse no que cheira.

Alberto Caeiro

Manuel Cruz - Canção da Canção Triste


"O amor dá-me tesão/Não fui eu que estraguei"
*Uma canção de amor...

E ao anoitecer

E ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo

a paciência o amor o abandono das palavras

o silêncio

e a dificil arte da melancolia.

Al Berto

Tuesday, May 17, 2011

Friday, April 15, 2011

Fado na Fdup

Os Golpes - O renascimento do "roquepope" dos 80as

A música portuguesa está a conhecer um bom momento.Na verdade são as conjunturas politico-sociais mais devastadoras que alimentam o espírito da criação artística,tenho dito!Depois de Deolinda,Oquestrada,Virgem Suta ora eis que dou de fronte com Os Golpes.Estava um lindo final de tarde solarengo quando os ouvi pela 2ª vez na rádio,valeu pena...não sabia quem eram,de onde vinham para que vinham e o que pretendiam...ahhh mas gostei daquela sonoridade a fazer recordar as músicas dos bailaricos provincianos de verão;) apeteceu-me dançar...
Aquele ritmo tão português,apesar de não ter uma letra brilhante(refiro-me ao tema "Vá lá senhora") ganha precisamente pela simplicidade e pela participação de Rui Pregal da Cunha dos meus tão adorados Heróis do Mar.Aquela voz não era estranha de todo,mas só depois de pesquisar percebi de quem se tratava....fiquei radiante!Acho que vou tentar uma interpretação do "Vá la senhora",versão Fado;)que tal!?
Por agora vou continuar a explorar os ditos cujos e logo logo trarei boas novas...

Inté

Saturday, April 9, 2011

NBC feat SP & Wilson - Marceneiro

"Fados" de Carlos Saura,adoro!

Ofício de Amar

Já não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no principio de outras
galáxias
e o remorso

Um dia pressenti a música estelar das pedras,
abandonei-me ao silêncio
é lentissimo este amor progredindo com o bater do coração
não,não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas

Ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponivel
perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade do meu próprio corpo.

Al berto