Thursday, December 16, 2010
Friday, December 3, 2010
Friday, November 26, 2010
Há-de flutuar uma cidade
Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu...como seriam felizes as mulheres
á beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentissimos...sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada á porta...dantes escrevia cartas
punha-me a olhar á risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci...acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração.Mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala á minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade.
Al berto
pensava eu...como seriam felizes as mulheres
á beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentissimos...sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada á porta...dantes escrevia cartas
punha-me a olhar á risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci...acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração.Mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala á minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade.
Al berto
Friday, October 15, 2010
Amália - Porque o Fado não se canta, Acontece
Amália Rodrigues
Friday, October 1, 2010
Gabito
"(...)Porque na verdade estavam ligados até á morte por um vínculo mais sólido que o amor: uma dor comum de consciência."
Gabriel Garcia Marquez in Cem anos de Solidão
Gabriel Garcia Marquez in Cem anos de Solidão
Friday, September 24, 2010
Wednesday, September 22, 2010
Wednesday, July 7, 2010
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora á luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.
Sophia de Mello Breyner Andresen
in Livro Sexto (1962)
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora á luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.
Sophia de Mello Breyner Andresen
in Livro Sexto (1962)
Saturday, July 3, 2010
Monday, June 21, 2010
Thursday, June 10, 2010
Tributo a Nico
Dedico o dia a uma homenagem a Nico - compositora,vocalista dos Velvet Underground e parceira do meu estimado Lou Reed.
Furto-me a escrever um texto longo,provavelmente esclarecedor, a seu respeito.
Os vídeos que se seguem falam por mim.
Furto-me a escrever um texto longo,provavelmente esclarecedor, a seu respeito.
Os vídeos que se seguem falam por mim.
Friday, May 28, 2010
Thursday, April 29, 2010
Lá fora Anoiteceu
Em tempos li muitos livros,hoje raramente leio.Os livros cansaram-me,devoraram-me a pouco e pouco o prazer de ler.
O vento da noite traz imagens:um rapaz em calcário deitado no dorso dum cavalo azul perfura a claridade do mar.Abro a janela do sonho,aceno-lhe,mas ele não me pode ver.
Uma ave de palavras escreve no espaço a remota sabedoria do voo,depois desce e vem pousar suavemente na palma da mão.Olho-a mas não ouso tocar-lhe.
Acordo quando a ave e o rapaz se deitaram sobre a pele.Abro os olhos e estendo a mão e o corpo para fora do sono,ergo-me para dentro do imenso vazio.
Tudo se despedaçou.O sonho,e o amor que é sempre tão breve.O mundo dorme sob o vento.Só eu continuo acordado,em vigília.Se houvesse agora uma catástrofe eu daria por ela,levantar-me-ia daqui para encarar a morte,dizer-lhe que são inutilidades o que arrasta consigo.
Estou gasto.Dei-me sempre mais do que podia.Não há nada que me possam roubar,sou um homem espoliado de todos os bens,de todas as doenças,de todas as emoções.Sou um corpo pronto para a viagem sem regresso,para o crime para a morte.Sou um corpo que se evita,um homem cujo nome se perdeu e cuja biografia possível está no pouco que escreveu.Sou um corpo sem nacionalidade,pertenço ás profundezas dos oceanos,ao voo da ave migrante.Sou um alfabeto e não sei se terei tempo para me decifrar.
Lá fora anoiteceu(...)lá fora anoiteceu.
São raras as claridades que do meu sangue sobem ao rosto.Há um lume invisível no teu olhar,uma visão que o espelho me revela:cintilam cristais enquanto dormes,uma árvore cresce nos pulmões.Assim construo as paisagens,assim te ofereço a morada de sossego e de prazer.Mas tu não vens,porque me és exterior.Posso criar o universo inteiro a partir das minhas células,só não posso criar-te a ti,corpo que morre na falsa juventude dos espelhos.
...a paixão revelou-se-me no instante em que percebi que sabia quase tudo na vida,mas já não foi possivel perder-me na tentação do suicídio.Nunca amei e nunca fui amado:ignoro se isto é verdade,o mais provável é ter inventado,um dia,esta mentira,unicamente para me salvar.
Que horas serão para lá deste século?
Onde estaremos neste momento?
Estarei eu em ti ou serás tu que me devoras e me comoves?
...o teu nome,pronuncia o teu nome para que seja impossível esquecer-me do meu.Diz-me o teu nome de ontem,quando éramos o reflexo exacto um do outro.Toca-me o rosto com o teu nome,ou pousa-o sobre as mãos,debruça-te para dentro de mim e deixa que o segredo do tempo fulmine os ossos.
Al Berto
in O Medo
O vento da noite traz imagens:um rapaz em calcário deitado no dorso dum cavalo azul perfura a claridade do mar.Abro a janela do sonho,aceno-lhe,mas ele não me pode ver.
Uma ave de palavras escreve no espaço a remota sabedoria do voo,depois desce e vem pousar suavemente na palma da mão.Olho-a mas não ouso tocar-lhe.
Acordo quando a ave e o rapaz se deitaram sobre a pele.Abro os olhos e estendo a mão e o corpo para fora do sono,ergo-me para dentro do imenso vazio.
Tudo se despedaçou.O sonho,e o amor que é sempre tão breve.O mundo dorme sob o vento.Só eu continuo acordado,em vigília.Se houvesse agora uma catástrofe eu daria por ela,levantar-me-ia daqui para encarar a morte,dizer-lhe que são inutilidades o que arrasta consigo.
Estou gasto.Dei-me sempre mais do que podia.Não há nada que me possam roubar,sou um homem espoliado de todos os bens,de todas as doenças,de todas as emoções.Sou um corpo pronto para a viagem sem regresso,para o crime para a morte.Sou um corpo que se evita,um homem cujo nome se perdeu e cuja biografia possível está no pouco que escreveu.Sou um corpo sem nacionalidade,pertenço ás profundezas dos oceanos,ao voo da ave migrante.Sou um alfabeto e não sei se terei tempo para me decifrar.
Lá fora anoiteceu(...)lá fora anoiteceu.
São raras as claridades que do meu sangue sobem ao rosto.Há um lume invisível no teu olhar,uma visão que o espelho me revela:cintilam cristais enquanto dormes,uma árvore cresce nos pulmões.Assim construo as paisagens,assim te ofereço a morada de sossego e de prazer.Mas tu não vens,porque me és exterior.Posso criar o universo inteiro a partir das minhas células,só não posso criar-te a ti,corpo que morre na falsa juventude dos espelhos.
...a paixão revelou-se-me no instante em que percebi que sabia quase tudo na vida,mas já não foi possivel perder-me na tentação do suicídio.Nunca amei e nunca fui amado:ignoro se isto é verdade,o mais provável é ter inventado,um dia,esta mentira,unicamente para me salvar.
Que horas serão para lá deste século?
Onde estaremos neste momento?
Estarei eu em ti ou serás tu que me devoras e me comoves?
...o teu nome,pronuncia o teu nome para que seja impossível esquecer-me do meu.Diz-me o teu nome de ontem,quando éramos o reflexo exacto um do outro.Toca-me o rosto com o teu nome,ou pousa-o sobre as mãos,debruça-te para dentro de mim e deixa que o segredo do tempo fulmine os ossos.
Al Berto
in O Medo
Friday, February 12, 2010
Thursday, February 11, 2010
Rotina
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos,como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor
vamos caindo ao chão,apodrecidos.
Eugénio de Andrade
gastos,como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor
vamos caindo ao chão,apodrecidos.
Eugénio de Andrade
Monday, January 4, 2010
La tasse fille
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