Tuesday, September 23, 2008

Azul algum dos olhos

Azul algum dos olhos
queima a figura
de um corpo
ágil
terno
doce
Horas de lua
corpos enlaçados
vaivém
reprodutores-amor
beijo-maça!

Bárbara Bentes

Saturday, September 20, 2008

Homens choro

Caminham esses homens desiludidos
 em busca de uma outra e outra fantasia
Iludidos embaraçados tímidos abraçados
Á saudade
Vagueiam empurrados por enxurradas de negócios
Egoístas sozinhos esquecidos de si
E os beijos
E os abraços
E esgotantes amorosos cansaços
Que para ganhar o pão
Aos pedintes e famintos
Dão aos pedaços.

Bárbara Bentes

O recomeço é sempre possível

Obrigada por estares sempre onde nunca encontro ninguém.

Bárbara Bentes

Struggle for Pleasure by Wim Mertens

Friday, September 19, 2008

Se tu viesses ver-me

Se tu viesses ver-me hoje á tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra:esse sabor que tinha
A tua boca...o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte...os teus abraços...
Os teus beijos...a tua mão na minha...

Se tu viesses quando,linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

Sunday, September 7, 2008

Os teus pés

Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.

Os teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,

Eu sei que te sustentam
E que o teu doce peso
Sobre eles se ergue.

A tua cintura e os teus seios,
A duplicada púrpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
A tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.

Pablo Neruda