Os dedos longos,
Impacientes e frios
Acariciam-lhe a nuca...
Movidos por impulsos
Ansiosos e egoístas
De aquecerem o corpo,
Que os transporta!
Os olhos,esses,
distraídos e desejosos
nada vêem,
e á primeira oportunidade
mudam de alvo.
Do peito,
Profundo e visceral
a vontade de um amor
sublime,bruto quase degradante
Revela-se!
Nos semblantes,
os lábios rosados
sem dó e sem pudor
Atrevem-se!
Em mútuo e eterno
consentimento,
num prazer
de sonho e quebranto
Consomem-se!
E contemplando-se
numa curiosidade
quase infantil,
Entregam-se!
Bárbara Bentes