Wednesday, August 27, 2008

Silêncio

Há qualidades incorpóreas,de existência
dupla,nas quais segunda vida se produz,
como a entidade dual da matéria e da luz,
De que o sólido e a sombra espelham a evidência.

Há pois,duplo silêncio;o do mar e o da praia,
do corpo e da alma;um,mora em deserta região
que erva recente cubra e onde,solene,o atraia
lastimoso saber,onde a recordação

O dispa de terror,seu nome é "nunca mais",
E o silêncio corpóreo.A esse,não temais!
Nenhum poder do mal ele tem.Mas,se uma hora

Um destino precoce(oh,destinos fatais!)
Vos levar a regiões soturnas,que apavora
sua sombra,elfo sem nome,ali onde humana palma

Jamais pisou,a Deus recomendai vossa alma!

Edgar Allan Poe

Thursday, August 7, 2008

Ensaio

Os dedos longos,
Impacientes e frios
Acariciam-lhe a nuca...
Movidos por impulsos
Ansiosos e egoístas
De aquecerem o corpo,
Que os transporta!
Os olhos,esses,
distraídos e desejosos
nada vêem,
e á primeira oportunidade
mudam de alvo.
Do peito,
Profundo e visceral
a vontade de um amor
sublime,bruto quase degradante
Revela-se!
Nos semblantes,
os lábios rosados
sem dó e sem pudor
Atrevem-se!
Em mútuo e eterno
consentimento,
num prazer
de sonho e quebranto
Consomem-se!
E contemplando-se
numa curiosidade
quase infantil,
Entregam-se!

Bárbara Bentes

Glósóli by Sigur Rós

Ainda

No outro dia,
pedi a um mágico
que me levasse a alma.
Num pedaço de chita branca
com florzinhas miudinhas a enrolou.
Levou-a aconchegada contra o peito...
Não a tenho já,é certo!
Mas sinto,daquele sentir...ainda
a leveza do teu fascínio.
Ah,esta alma que te pertence
já não é,aqui!
Foi levada,enrolada e aconchegada
Num pedaço de chita branca.

Bárbara Bentes