Há qualidades incorpóreas,de existência
dupla,nas quais segunda vida se produz,
como a entidade dual da matéria e da luz,
De que o sólido e a sombra espelham a evidência.
Há pois,duplo silêncio;o do mar e o da praia,
do corpo e da alma;um,mora em deserta região
que erva recente cubra e onde,solene,o atraia
lastimoso saber,onde a recordação
O dispa de terror,seu nome é "nunca mais",
E o silêncio corpóreo.A esse,não temais!
Nenhum poder do mal ele tem.Mas,se uma hora
Um destino precoce(oh,destinos fatais!)
Vos levar a regiões soturnas,que apavora
sua sombra,elfo sem nome,ali onde humana palma
Jamais pisou,a Deus recomendai vossa alma!
Edgar Allan Poe
Wednesday, August 27, 2008
Thursday, August 7, 2008
Ensaio
Os dedos longos,
Impacientes e frios
Acariciam-lhe a nuca...
Movidos por impulsos
Ansiosos e egoístas
De aquecerem o corpo,
Que os transporta!
Os olhos,esses,
distraídos e desejosos
nada vêem,
e á primeira oportunidade
mudam de alvo.
Do peito,
Profundo e visceral
a vontade de um amor
sublime,bruto quase degradante
Revela-se!
Nos semblantes,
os lábios rosados
sem dó e sem pudor
Atrevem-se!
Em mútuo e eterno
consentimento,
num prazer
de sonho e quebranto
Consomem-se!
E contemplando-se
numa curiosidade
quase infantil,
Entregam-se!
Bárbara Bentes
Impacientes e frios
Acariciam-lhe a nuca...
Movidos por impulsos
Ansiosos e egoístas
De aquecerem o corpo,
Que os transporta!
Os olhos,esses,
distraídos e desejosos
nada vêem,
e á primeira oportunidade
mudam de alvo.
Do peito,
Profundo e visceral
a vontade de um amor
sublime,bruto quase degradante
Revela-se!
Nos semblantes,
os lábios rosados
sem dó e sem pudor
Atrevem-se!
Em mútuo e eterno
consentimento,
num prazer
de sonho e quebranto
Consomem-se!
E contemplando-se
numa curiosidade
quase infantil,
Entregam-se!
Bárbara Bentes
Ainda
No outro dia,
pedi a um mágico
que me levasse a alma.
Num pedaço de chita branca
com florzinhas miudinhas a enrolou.
Levou-a aconchegada contra o peito...
Não a tenho já,é certo!
Mas sinto,daquele sentir...ainda
a leveza do teu fascínio.
Ah,esta alma que te pertence
já não é,aqui!
Foi levada,enrolada e aconchegada
Num pedaço de chita branca.
Bárbara Bentes
pedi a um mágico
que me levasse a alma.
Num pedaço de chita branca
com florzinhas miudinhas a enrolou.
Levou-a aconchegada contra o peito...
Não a tenho já,é certo!
Mas sinto,daquele sentir...ainda
a leveza do teu fascínio.
Ah,esta alma que te pertence
já não é,aqui!
Foi levada,enrolada e aconchegada
Num pedaço de chita branca.
Bárbara Bentes
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