Sunday, February 10, 2008

Visita-me enquanto eu não envelheço

Visita-me enquanto eu não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com o teu rosto de Modigliani suicidado

Tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem

Ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo á boca sulforosa dos espelhos
vem

Antes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando a tua ausência se prende ás veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro

perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
vem

Com o teu sabor de açucar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-se.


Al Berto

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