Na última sexta-feira de janeiro recente,depois de um dia de estudo tedioso e enfadonho...de direito das obrigações,fui sem contar, ouvir concertina pelas mãos mágicas de Artur Fernandes,elemento do grupo músical Danças ocultas e de outros não menos maravilhosos e sublimes projectos!!Estava por casa,nem contava sair...embora tivesse alguma vontade!
Mas para meu deleite,o telefona toca por volta das oito e meia,e o convite que sem saber ansiava...ganhou voz,afinal de contas aquela vontade de fuga nocturna que me tentava tinha uma razão de ser...era um chamamento,creio,estas coisas são bizarras mas magnificas!Não quero acreditar que fora coincidência...ora muito bem,estaria pronta ás nove!O que pretendia não era uma noite daquelas de ninguém,que embora deliciosas,se demoram e nos consomem,o que queria mesmo era estar relaxada,sem grandes preocupacões sociais,emocionais e outras e chegar a casa cedo!
Nove horas,ainda me demoro...estas coisas de blushs demoram o seu tempo.Respeitosamente,deixo quem me espera a esperar mesmo...mais alguns minutos que o previsto,toca o telefone,o baton cai,sujo o vestido com pasta de dentes que pela manhã egoísta e óciosamente deixei sujar a pia,seco o cabelo,beijinhos á mama e ao papa,meia-dúzia de palavras carinhosas ao Tobias e zarpo-me dali!!
Impacientes os meus acompanhantes,recebem-me com carinhos e sorrisos e partimos a caminho do lugar do acontecimento.
Estava cá o Artur Fernandes com um dos seus dois irmãos,aquele que ainda não conhecia,para um programinha sobre a música da concertina,a sua evolução,influências...um traço histórico-musical da concertina,tocou desde música dos Balcãs,a choradinhos cabo-verdianos a músiquinha brasileira...deliciosamente,como não poderia deixar de ser...e sempre com muito humor,o irmão para além de simpático e bom músico,tinha cá uma piada!A assistência,pouco numerosa e familiar,esbanjava gargalhadas timídas...eu não fui excepção.Não sei se pela graça do acompanhante apenas,penso que pelo bem-estar também,que se espera e poucas vezes se alcança numa sexta-feira á noite!
Depois de me ter maravilhado,tomo uma cevadinha e conscientemente venho para casa...porque queria,e porque a minha boleia também tinha que estudar para um exame que tinha no dia seguinte...tudo a correr como esperava,a minha estrelinha da sorte normalmente,não me deixa ficar mal.Ou desejo pouco,ou tenho mesmo sorte!Enfim...nos dias seguintes,estes,tenho secretamente e até agora sem ter partilhado,ouvido Danças ocultas mais frequentemente,e confesso é magia pura...cada música melhor que outra,mais saborosa,mais sublime,mais profunda,mais alegre,mais dançante!Quando tiver melhor de finanças,vou comprar um cd,estes feitos merecem...por tudo aquilo que nos proporcionam...mesmo.Estou encantada!
Friday, February 15, 2008
Monday, February 11, 2008
Estrela da tarde
Era a tarde mais longa de todas as tardes
que me acontecia
eu esperava por ti,tu não vinhas
tardavas e eu entardecia
Era tarde,tão tarde,que a boca,
tardando-lhe o beijo,mordia
quando á boca da noite surgiste
na tarde tal rosa tardia
quando nós nos olhamos tardamos no beijo
que a boca pedia
e na tarde ficámos unidos ardendo na luz
que morria
em nós dois nessa tarde em que tanto
tardaste o sol amanhecia
era tarde de mais para haver outra noite
para haver outro dia.
Meu amor,meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor,meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor,meu amor
Eu não tenho a certeza.
Foi a noite mais bela de todas as noites
Que me aconteceram
Dos nocturnos silêncios que á noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa
De fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que á noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem,vivendo morreram.
Eu não sei,meu amor,se o que digo
É ternura,se é riso,se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto.
Meu amor,nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto.
Ary dos Santos
*Um dos poemas mais bonitos de todos os tempos,e maravilhosamente cantado pelo nosso Carlos do Carmo.Belo,muito belo!É um dos meus favoritos,e andava a negligenciar o meu carinho por ele,mas como nunca é tarde,aqui está.
que me acontecia
eu esperava por ti,tu não vinhas
tardavas e eu entardecia
Era tarde,tão tarde,que a boca,
tardando-lhe o beijo,mordia
quando á boca da noite surgiste
na tarde tal rosa tardia
quando nós nos olhamos tardamos no beijo
que a boca pedia
e na tarde ficámos unidos ardendo na luz
que morria
em nós dois nessa tarde em que tanto
tardaste o sol amanhecia
era tarde de mais para haver outra noite
para haver outro dia.
Meu amor,meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor,meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor,meu amor
Eu não tenho a certeza.
Foi a noite mais bela de todas as noites
Que me aconteceram
Dos nocturnos silêncios que á noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa
De fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que á noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem,vivendo morreram.
Eu não sei,meu amor,se o que digo
É ternura,se é riso,se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto.
Meu amor,nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto.
Ary dos Santos
*Um dos poemas mais bonitos de todos os tempos,e maravilhosamente cantado pelo nosso Carlos do Carmo.Belo,muito belo!É um dos meus favoritos,e andava a negligenciar o meu carinho por ele,mas como nunca é tarde,aqui está.
Embriaga-te
Devemos andar sempre bêbados.
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te pesa sobre os ombros e te verga ao encontro da terra,deves embriagar-te sem cessar.
Com vinho,com poesia,ou com virtude.
Escolhe tu,mas embriaga-te.
E se alguma vez,nos degraus de um palácio,sobre verdes ervas de uma vala,na solidão morna do teu quarto,tu acordares com a embriaguez atenuada,pergunta ao vento,á onda,á estrela,á ave,ao relógio,a tudo o que se passou,a tudo o que gira,a tudo o que canta,a tudo o que fala;pergunta-lhes que horas são:"São horas de te embriagares.Para não seres como os escravos martirizados do Tempo,embriaga-te,embriaga-te sem descanso.Com vinho,com Poesia,ou com Virtude."
Charles Baudelaire
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te pesa sobre os ombros e te verga ao encontro da terra,deves embriagar-te sem cessar.
Com vinho,com poesia,ou com virtude.
Escolhe tu,mas embriaga-te.
E se alguma vez,nos degraus de um palácio,sobre verdes ervas de uma vala,na solidão morna do teu quarto,tu acordares com a embriaguez atenuada,pergunta ao vento,á onda,á estrela,á ave,ao relógio,a tudo o que se passou,a tudo o que gira,a tudo o que canta,a tudo o que fala;pergunta-lhes que horas são:"São horas de te embriagares.Para não seres como os escravos martirizados do Tempo,embriaga-te,embriaga-te sem descanso.Com vinho,com Poesia,ou com Virtude."
Charles Baudelaire
Sunday, February 10, 2008
Visita-me enquanto eu não envelheço
Visita-me enquanto eu não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com o teu rosto de Modigliani suicidado
Tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem
Ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo á boca sulforosa dos espelhos
vem
Antes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando a tua ausência se prende ás veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
vem
Com o teu sabor de açucar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-se.
Al Berto
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com o teu rosto de Modigliani suicidado
Tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem
Ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo á boca sulforosa dos espelhos
vem
Antes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando a tua ausência se prende ás veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
vem
Com o teu sabor de açucar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-se.
Al Berto
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