Acontecerá o quê?
Talvez não vá acontecer nada e tudo permanecerá assim como até então.
Por vezes há algo que não nos deixa caminhar, como se os nossos pés estivessem presos no asfalto porque o alcatrão derreteu num dia de muito sol e calor, e só queremos uma sombra.
Quão livres somos? Quando somos?
Somos quando motivados e certos de uma coisa maior que nós, que não sabemos onde mora e nos impele, entusiasma e assusta.
Medo? Sentimos paradoxalmente, medo e incerteza. Maior ainda quando não o sentimos sozinhos. Questionámos, mas e então de que vale esse medo quando tudo é certeza?!
Vale imenso. Sozinhos e amedrontados não conseguimos fazer muito.
Então, não fazemos nada, não dizemos nada, não decidimos e seguimos ao sabor do vento.
Não, não é um discurso de ruptura tão pouco de desesperança é, antes, uma honesta convicção de que pouco podemos nestas coisas da vida, dos caminhos, das escolhas...
Ah se pudéssemos transformar tudo à volta no que desejámos!
Porém, sentimos cansaço por não sabermos para que se está a viver, temos preguiça de pensar todo o pensável , contentamo-nos com pequenos fragmentos de ideias, recusando a coerência absoluta.
Por esta razão assumimos uma absurda posição de orgulho.
Na verdade, o que nos impede perceber mais profundamente o que sentimos, o que desejámos, o que aspirámos não são nem o tempo nem a razão nem a inteligência mas apenas e somente a falta de curiosidade. O essencial não é convencer alguém, o essencial é agir mas esta acção deve ser feita como um exercício de amor.
A acção, a escolha, a decisão implicam não raras vezes, uma certa amargura. Não é a acção que está errada somos nós mesmos.
Façamos assim a escolha, a tomada de decisão como uma ascese, e uma ascese por amor. Só assim aquilo que de maior temos se liberta, por dentro.
A criança que pensa em fadas
Entre a saliva e o sonho
Monday, July 9, 2018
Wednesday, May 10, 2017
Friday, May 5, 2017
Wednesday, May 3, 2017
Thursday, April 27, 2017
Thursday, April 20, 2017
A vida,
as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera , o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com
as linhas da mão,
a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando, essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória,
a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.
Nuno Júdice
Regresso hoje porque preciso.
É como regressar a casa depois de muito tempo longe...
Reparo que regresso tal como da última vez, com um poema de Júdice.
Wednesday, July 9, 2014
Brincávamos a cair nos braços um do outro
brincávamos a cair nos
braços um do outro, como faziam
as actrizes nos filmes com o marlon
brando, e depois suspirávamos e ríamos
sem saber que habituávamos o coração à
dor.queríamos o amor um pelo outro
sem hesitações, como se a desgraça nos
servisse bem e, a ver filmes, achávamos que
o peito era todo em movimento e não
sabíamos que a vida podia parar um
dia.
(...)
Eu amava-te e julgava bem que amar era
afeiçoar o corpo ao perigo.
válter hugo Mãe
braços um do outro, como faziam
as actrizes nos filmes com o marlon
brando, e depois suspirávamos e ríamos
sem saber que habituávamos o coração à
dor.queríamos o amor um pelo outro
sem hesitações, como se a desgraça nos
servisse bem e, a ver filmes, achávamos que
o peito era todo em movimento e não
sabíamos que a vida podia parar um
dia.
(...)
Eu amava-te e julgava bem que amar era
afeiçoar o corpo ao perigo.
válter hugo Mãe
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